Fonte: IDEANEWS - Matérias
Centro-Oeste Iguatemi - uma das muitas novas usinas do Mato Grosso do Sul

Um estado brasileiro que promete se desenvolver muito no setor sucroalcooleiro é o Mato Grosso do Sul. Embora várias usinas novas estejam sendo instaladas por lá, além de outras com estudo em andamento, duas começam a funcionar em 2006. Uma delas está situada no extremo sul do estado: a Centro-Oeste Iguatemi (DCOIL), localizada na cidade de Iguatemi, próximo à divisa com Itaquiraí.


Bernardes: "a nova unidade do Grupo nasce totalmente automatizada"

O empreendimento é resultado da ousadia do médico Nelson Donadel. Ele buscou algumas parcerias para concretizar a instalação da nova usina. Há anos, concilia a medicina com a produção de cana-de-açúcar. Tanto que é sócio-fundador e um dos cooperados da Coopernavi (Cooperativa dos Produtores de Cana de Açúcar de Naviraí), localizada a cerca de 25 km da unidade de Iguatemi. Na Centro-Oeste Iguatemi, é sócio do grupo paulista proprietário da Petronove e da Álcool São Paulo, que são distribuidoras de combustível que irão comercializar a produção da DCOIL. A nova unidade sul mato-grossense começa a funcionar entre o final de junho e o início de julho. Esmagará em 2006 cerca de 400 mil toneladas de cana.

Produzirá só álcool hidratado, mas preparou os equipamentos para, em 2007, começar a fabricação de álcool anidro e de açúcar. Também nasce com pequena fábrica de levedura, que entra em operação em 2007. O processo utilizado é de extração da sacarose da cana por difusão. Este equipamento limita a moagem a 600 mil toneladas anuais de cana, mas a meta da empresa é atingir em pouco tempo a marca de 1 milhão de toneladas. Segundo Donadel, a estimativa é de que se tire cerca de 90 litros por tonelada de cana na usina, produzindo, então, 36 milhões de litros por ano de álcool.


Iguatemi Centro-oeste – a unidade começa a funcionar entre o final de junho e o início de julho

A Centro-Oeste Iguatemi é a mesma planta da Coamo (Cooperativa Agropecuária Mourãoense), de Campo Mourão, Paraná. Possui um layout moderno, segundo seu gerente industrial, Sérgio Angelotto. Ela nasce 70% automatizada. São automatizados o preparo e a extração da cana, a caldeira, a geração de energia e a destilaria. Além do difusor, o que já se configura num diferencial dentre as usinas no Estado, a usina também conta com uma peneira molecular para anidrizar o álcool. “É a única usina do Estado a utilizar estes equipamentos. O difusor nos coloca na condição do que há de melhor em termos de extração”, lembra Angelotto. A planta industrial da DCOIL permite expansão, até porque é modulada.

Terras disponíveis

Segundo Donadel, a área da cidade de Iguatemi foi escolhida por ter terras férteis e disponíveis. Os canaviais estão situados tanto nesta cidade, como em Itaquiraí. “Eram terras praticamente abandonadas, usadas para pecuária extensiva, com baixa produtividade, numa região erma e desabitada”, explica. A unidade industrial fica a 76 km da zona urbana do município. Os canaviais da DCOIL foram plantados tanto em terras próprias como em arrendadas. E o rendimento agrícola é satisfatório, segundo Donadel. “Antigamente, a cana cultivada na área era de baixa produtividade. Já hoje a média é de 83 t/ha. O índice de extração tem melhorado muito, também. A matériaprima vem resultando em cerca de 90 litros de álcool por tonelada”, informa. De acordo com ele, a qualidade da cana produzida para a Centro-Oeste Iguatemi é de boa qualidade.


Donadel: “temos um canavial heterogêneo em variedades e rico em sacarose”

Uma das características de Donadel é dar atenção especial aos tratos culturais dos canaviais. “Temos um canavial heterogêneo em variedades e rico em sacarose”, diz. As variedades mais utilizadas são a RB 72 454, a SP 81-3250, a SP 91-1049 e a SP 80-1816”, diz ele. A usina possui cerca de 7.260 hectares com cana e vai plantar em 2006 mais 1.940 hectares. Ao descrever a planta industrial da Centro-Oeste Iguatemi, Angelotto destaca que as moendas de recebimento de cana são de 30x54 e o difusor é para 3 mil toneladas/dia de cana. “O preparo de tratamento de caldo tem 3.600 metros quadrados. Isso dá condição de concentrar todo o caldo da moagem aqui, porque na planta original era para trabalhar num sistema de biostil, usando apenas um reator. Assim, hoje precisamos apenas montar os tachos de açúcar. Além disso, temos aparelho de 150 mil litros com peneira molecular de 100 mil litros, caldeira de 80 toneladas/ hora, 4 tanques de reservatório com capacidade de 5 milhões de metros cúbicos e possibilidade de produzir 5 mil kWA de energia”, detalha o gerente industrial.

Preocupação social

Para Donadel, toda indústria sucroalcooleira precisa ser sustentada sobre três pilares: econômico, ambiental e social. E na visão dele, esse último é o mais importante. Numa região em que, atualmente, a pecuária está em baixa, principalmente por causa de foco local de febre aftosa, outras alternativas econômicas são importantes para gerarem emprego, renda e divisas. O médico canavieiro garante que o corte na Centro Oeste Iguatemi será manual. “Enquanto pudermos e tiver gente para cortar cana, não usarei máquina”, assegura. A usina deve empregar 86 pessoas na indústria e 260 na agrícola, inicialmente. Na safra, a perspectiva é que o campo empregue de 800 a 1.200 pessoas, número que pode crescer mais ainda no caso de expansão da empresa. “Uma das coisas mais importantes deste setor é a possibilidade de ajudar os brasileiros sem emprego, que precisam de oportunidade”, comenta. Do total atual de funcionários, cerca de 40 são índios, devidamente registrados e que recebem moradia e alimentação. Mas a proposta de Donadel é empregar um número ainda maior deles.


Angelotto: “a Centro-Oeste Iguatemi utilizará difusor no processamento da cana”

“Pensando nisso, estamos construindo um dormitório para abrigar cerca de 300 índios. Este alojamento está em acabamento e terá por perto um lago e campo de futebol para o bem-estar deles”, diz Donadel, que assegura: “os indígenas trabalham muito bem e são dedicados”. A origem da maioria dos índios deverá ser de aldeias da região de Dourados. Donadel também pretende criar, anexa à DCOIL, uma indústria de biodiesel, utilizando a mamona como matéria-prima. Segundo ele, isso também ajudaria no desenvolvimento da região. Outro projeto seu, e que inclusive já está sob estudos do governo federal, é a instalação de uma agrovila nas redondezas da indústria. Pela proposta, o poder público compraria uma grande área de terra suficiente para assentar de 200 a 500 famílias. Além de subsistir, os assentados cultivariam cana- de-açúcar com assessoria e tecnologia da usina. Toda a produção deles seria adquirida pela Centro-Oeste Iguatemi. Outra preocupação importante na condução do empreendimento é a ambiental.

“Nas áreas dos canaviais, fazemos reflorestamento, plantio de árvores nas matas ciliares e ainda garantimos que a indústria ficasse distante das nascentes e córregos. Também ao redor da usina temos plantação de árvores”, relata. Preocupado com o êxodo rural, Donadel acredita que o desenvolvimento da vocação para o setor sucroalcooleiro será muito boa para o país e para o mundo. “Precisamos gerar emprego e, além disso, a produção de álcool vai precisar aumentar cada vez mais, por tratar-se de uma energia renovável. O açúcar também é outro produto que sempre terá uma demanda crescente”, sublinha. De acordo com ele, é necessário se organizar melhor para aproveitar o potencial climático e de oferta de terras do país. “Na nossa região, por exemplo, há grande disponibilidade de solo e carência de projetos que desenvolvam nossas comunidades”, afirma.


Preocupação social na DCOIL - alojamento para trabalhadores indígenas está sendo construído